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Dívida externa dos estados: quanto é, com quem e por que o câmbio pesa no serviço da dívida

Os estados deviam R$ 117,95 bilhões em empréstimos externos em agosto de 2026. Veja os maiores saldos, os credores e como o câmbio mexe no custo e nos limites fiscais.

Por Redação ASSBAN Câmbio

Infográfico: Dívida externa dos estados: quanto é, com quem e por que o câmbio pesa. Destaque: R$ 117,95 bi, empréstimos externos dos estados em 31/08/2026, segundo os RGFs no Siconfi

Os estados brasileiros deviam R$ 117,95 bilhões em empréstimos externos ao fim de agosto de 2026, segundo os Relatórios de Gestão Fiscal publicados no Siconfi. É menos de um décimo da dívida consolidada estadual, mas é a parte que muda de tamanho sem que ninguém assine nada: basta o câmbio se mexer. Veja quanto é, com quem é e por que o câmbio pesa no serviço dessa dívida.

Quanto é, e onde está

A soma dos empréstimos externos declarados pelos estados no Anexo 2 do RGF era de R$ 137,84 bilhões em dezembro de 2024, caiu para R$ 122,45 bilhões em dezembro de 2025 e chegou a R$ 117,95 bilhões em agosto de 2026. No mesmo intervalo, o dólar PTAX passou de R$ 6,1923 para R$ 5,5024 e depois para R$ 5,1816. A dívida consolidada dos estados somava cerca de R$ 1,30 trilhão em agosto, e os empréstimos externos representavam 9,1% desse total.

Em valores absolutos, São Paulo lidera, com R$ 24,93 bilhões, seguido por Ceará, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, todos acima de R$ 10 bilhões. O peso relativo, porém, conta outra história: no Acre, os empréstimos externos eram 58,1% da dívida consolidada; no Ceará, 52,2%; no Amazonas, 44,1%; em Pernambuco, 38,2%; e no Espírito Santo, 34,7%. Para esses estados, uma variação forte do câmbio mexe de forma relevante nos indicadores de endividamento.

Gráfico de barras horizontais com os dez estados de maior dívida externa em agosto de 2026
Fonte: Siconfi/Tesouro Nacional, RGF do 2º quadrimestre de 2026, Anexo 2 (linha “Empréstimos – Externos” do Poder Executivo), consulta à API do Siconfi.

Com quem os estados devem

O Relatório Quadrimestral de Operações de Crédito Garantidas, do Tesouro Nacional, mostra os credores. Em 31 de agosto de 2026, as operações externas com garantia da União somavam R$ 179,71 bilhões, considerados estados, municípios, bancos federais e outras entidades; os organismos multilaterais respondiam por 95,61% desse valor. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tinham, respectivamente, 21,32% e 20,60% de toda a carteira garantida, e a CAF, 4,11%. As agências governamentais estrangeiras somavam R$ 6,41 bilhões.

Só dos estados, a dívida externa garantida era de R$ 118,04 bilhões, com vida média de 7,19 anos. E os contratos não são só em dólar: entre os externos com garantia assinados em 2026, o Tesouro lista operações em dólares, como as do BIRD com Mato Grosso do Sul e do BID com o Piauí, em euros, como as do Ceará com o FIDA e com o ICO e a do Piauí com a AFD, e uma do BIRD com o Piauí em ienes.

Fachada de prédio neoclássico com colunas, sede de instituição pública
Prédio público com arquitetura neoclássica. Foto: Unsplash
R$ 117,95 biempréstimos externos dos estados em 31/08/2026 (Siconfi, RGF, Anexo 2)
9,1%peso desses empréstimos na dívida consolidada estadual, de cerca de R$ 1,30 trilhão
95,61%parcela dos organismos multilaterais nas operações externas garantidas pela União (Tesouro, RQG do 2º quadrimestre)
−0,40% a.a.custo médio em reais, em 12 meses, da dívida externa dos estados garantida pela União, com o dólar em queda de 4,51%

Por que o câmbio pesa no serviço da dívida

Toda parcela de uma dívida externa é paga em moeda estrangeira. Para pagá-la, o estado compra a moeda, e o valor em reais que sai do Tesouro estadual depende da taxa daquele dia e das condições obtidas com o banco. Quando o real se desvaloriza, o mesmo pagamento custa mais reais; quando se valoriza, custa menos. O saldo devedor segue a mesma lógica nos relatórios fiscais.

O Tesouro mede o efeito no custo médio. Nos doze meses até 31 de agosto de 2026, a dívida externa dos estados garantida pela União custou −0,40% ao ano em reais, contra 9,68% ao ano da dívida interna garantida, porque o dólar caiu 4,51% no período. Em 2024, quando o dólar PTAX subiu 27,9%, o efeito foi o inverso, e o saldo dessas dívidas cresceu R$ 25 bilhões. Os limites também sentem: a dívida consolidada líquida dos estados não pode passar de duas vezes a receita corrente líquida (Resolução do Senado 40/2001), e o serviço anual da dívida não pode comprometer mais de 11,5% da receita corrente líquida (Resolução do Senado 43/2001, art. 7º, II).

💡 Você sabia?

Em julho de 2026, o Piauí assinou com o BIRD um empréstimo de 58 bilhões de ienes, com garantia da União, segundo o Tesouro Nacional. É um lembrete de que o risco de moeda de um estado não se resume ao dólar: cada moeda contratada tem a sua própria cotação a acompanhar.

Referências e legislação

  • Siconfi · Relatórios de Gestão Fiscal dos estados, Anexo 2 — acessar
  • Tesouro Nacional, RQG 2º quadrimestre de 2026 · Credores, custo médio e novos contratos — acessar
  • Lei Complementar 101/2000 (LRF) · Arts. 29, 32 e 55 — acessar
  • Resolução do Senado Federal 40/2001 · Limite da dívida consolidada líquida — acessar
  • Resolução do Senado Federal 43/2001 · Limites das operações de crédito — acessar
  • Banco Central do Brasil, SGS (série 1) · Dólar comercial de venda — acessar
✍️ Nota da redação

A dívida externa dos estados é pequena em relação ao total, mas concentrada e sensível. Para os estados em que ela pesa mais, cada conversão de desembolso e cada compra de moeda para pagar parcelas merecem o mesmo cuidado que a negociação do empréstimo.

— Redação ASSBAN Câmbio

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