Comércio exterior por estado: o que os dados do Comex Stat mostram e o papel do câmbio
Dez UFs concentraram 87,1% das exportações de 2025. Veja o mapa das vendas e compras externas por estado, a alta de 2026 e onde o câmbio entra no desenvolvimento regional.
Por Redação ASSBAN Câmbio
O Brasil exportou US$ 348,3 bilhões e importou US$ 280,2 bilhões em 2025, segundo o Comex Stat, a base oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Por trás do total há 27 realidades muito diferentes: dez unidades da federação concentraram 87,1% das exportações. Em cada uma delas, o câmbio é o elo entre a venda lá fora e a renda gerada aqui dentro.
O mapa das exportações e das importações
São Paulo liderou as exportações de 2025, com US$ 71,39 bilhões, 20,5% do total nacional, seguido por Rio de Janeiro (US$ 48,98 bilhões), Minas Gerais (US$ 45,83 bilhões), Mato Grosso (US$ 30,19 bilhões) e Pará (US$ 24,34 bilhões). Nas importações, São Paulo também ficou em primeiro, com US$ 86,50 bilhões, mas o segundo lugar foi de Santa Catarina, com US$ 33,99 bilhões, à frente do Rio de Janeiro (US$ 32,17 bilhões) e do Paraná (US$ 20,15 bilhões).
Os saldos revelam perfis distintos. Mato Grosso (US$ 27,57 bilhões), Minas Gerais (US$ 27,50 bilhões) e Pará (US$ 21,59 bilhões) tiveram os maiores superávits. Santa Catarina (déficit de US$ 21,80 bilhões), Amazonas (US$ 15,13 bilhões) e São Paulo (US$ 15,11 bilhões) importaram mais do que exportaram. Vale lembrar o critério: no Comex Stat, as exportações por UF seguem a origem da mercadoria, e as importações, a UF de destino da operação, e não necessariamente a sede da empresa.

2026 até setembro: exportações em alta
De janeiro a setembro de 2026, as exportações somaram US$ 284,65 bilhões, alta de 10,4% sobre o mesmo período de 2025, e as importações chegaram a US$ 222,26 bilhões, alta de 5,0%. O crescimento não foi homogêneo: o Rio de Janeiro ampliou as vendas externas em 26,3% e Mato Grosso em 16,9%, enquanto Minas Gerais recuou 1,7% e São Paulo cresceu 4,8%. Tudo isso com o dólar PTAX em média a R$ 5,15 no período, abaixo da média de R$ 5,59 de 2025.
Onde o câmbio entra no desenvolvimento regional
Cada exportação gera uma receita em moeda estrangeira que, em algum momento, vira reais. O exportador pode antecipar a conversão com um adiantamento sobre o contrato de câmbio, fechar o câmbio no embarque ou no recebimento, ou ainda manter os recursos no exterior, como permite a Lei 11.371/2006, na redação dada pelo novo marco cambial. O IOF sobre o ingresso de receitas de exportação de bens e serviços é zero (Decreto 6.306/2007, art. 15-B, I), e a Constituição afasta o ICMS das operações que destinam mercadorias ao exterior (art. 155, § 2º, X, a).
Na importação, a conta se inverte: o importador compra moeda estrangeira para pagar o fornecedor, com o câmbio de bens importados isento de IOF (Decreto 6.306/2007, art. 16, I). Em estados com déficit comercial elevado, como os que concentram polos industriais e portos de entrada, a eficiência dessas operações pesa no custo de produção local.
Para os governos estaduais, os dados do Comex Stat orientam políticas de atração de investimentos, de apoio a exportadores de menor porte e de infraestrutura logística. E o próprio estado também compra no exterior: equipamentos de saúde, segurança e tecnologia importados por secretarias e entidades exigem operações de câmbio que, para entes públicos, precisam de processo, comparação de propostas e prestação de contas.

Santa Catarina foi a segunda unidade da federação que mais importou em 2025, com US$ 33,99 bilhões, à frente do Rio de Janeiro e do Paraná, embora tenha sido apenas a nona maior exportadora, com US$ 12,20 bilhões, segundo o Comex Stat.
Referências e legislação
- Comex Stat · Estatísticas oficiais de comércio exterior (MDIC) — acessar
- Lei 11.371/2006, art. 1º · Manutenção no exterior de receitas de exportação — acessar
- Decreto 6.306/2007 · IOF no câmbio (arts. 15-B, I, e 16, I) — acessar
- Constituição Federal, art. 155, § 2º, X, a · Não incidência de ICMS nas exportações — acessar
- Banco Central do Brasil, SGS (série 1) · Dólar comercial de venda — acessar
Os dados por estado mostram que não existe um único “Brasil exportador”. Para quem formula política regional, conhecer o perfil do comércio exterior local é o primeiro passo; garantir que as operações de câmbio de empresas e do próprio governo sejam eficientes é o segundo.
— Redação ASSBAN CâmbioComo o ASSBAN Câmbio ajuda: estados, autarquias, estatais e empresas privadas cotam com vários bancos credenciados ao mesmo tempo, comparam o custo total e acompanham a liquidação até a confirmação do beneficiário, com trilha de auditoria imutável. O contrato e o registro do câmbio ficam com o banco escolhido.
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