Proteção cambial para pequenas e médias empresas: NDF, travas e o custo da proteção
O dólar PTAX subiu 9,19% em 26 de outubro de 2026. Veja como uma PME pode se proteger com câmbio futuro, NDF ou opções, e o que determina o custo de cada alternativa.
Por Redação ASSBAN Câmbio
Entre a sexta-feira, 23 de outubro, e esta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o dólar PTAX saltou 9,19%, de R$ 5,0377 para R$ 5,5007, a maior cotação do ano. Para uma pequena importadora com US$ 100 mil a pagar, o mesmo boleto ficou R$ 46.300 mais caro de um dia útil para o outro. Movimentos assim são raros, mas não impossíveis, e é para eles que existe a proteção cambial. A questão é qual instrumento usar e quanto ele custa.
Três ferramentas ao alcance de uma PME
A primeira é a mais simples: travar o câmbio contratando a operação hoje para liquidação futura. A Resolução BCB 277/2022 admite operações de câmbio para liquidação futura com prazo de até 1.500 dias (art. 38, II). Nessas operações, a taxa deve refletir o preço da moeda na data da contratação, e as partes podem pactuar prêmio ou bonificação pela liquidação futura (art. 15, I). Há entrega efetiva da moeda na data combinada: é a escolha natural para quem tem um pagamento ou recebimento conhecido.
A segunda é o contrato a termo sem entrega física, o NDF. Nele, empresa e banco combinam uma taxa para uma data futura e, no vencimento, liquidam apenas a diferença em reais entre a taxa combinada e uma taxa de referência, em geral a PTAX. A empresa continua fazendo o seu câmbio normalmente, à taxa do dia, e o resultado do NDF compensa, total ou parcialmente, a variação. É um derivativo, com contrato próprio e análise de crédito pelo banco.
A terceira são as opções de moeda, que dão o direito, e não a obrigação, de comprar ou vender a uma taxa definida. Protegem contra o movimento desfavorável e preservam o favorável, mas exigem o pagamento de um prêmio na contratação.


Quanto custa se proteger
O custo da proteção não é uma tarifa fixa. No caso da trava e do NDF, a taxa futura embute, sobretudo, a diferença entre os juros em reais e os juros na moeda estrangeira no prazo da operação. Com a Selic em 13,75% ao ano, bem acima dos juros das principais moedas, o dólar a termo tende a ficar acima do dólar à vista. Um exemplo ilustrativo, com juro hipotético de 4% ao ano em dólar e prazo de 90 dias: partindo da PTAX de R$ 5,5007 de 26 de outubro, a taxa a termo ficaria perto de R$ 5,63, cerca de 2,4% acima. A esse diferencial somam-se o spread do banco e, em alguns casos, exigências de garantia ou de limite de crédito.
Esse custo precisa ser comparado com o risco que se evita. Para a importadora do exemplo do início, travar o pagamento alguns dias antes de 26 de outubro teria custado bem menos do que a alta do dia. Mas a proteção também tem o lado oposto: em 5 de outubro, o dólar caiu 4,55% em um dia, e quem estava travado não aproveitou a queda. Proteger é escolher a previsibilidade, não apostar na direção do câmbio.
Uma política simples para a PME
A empresa não precisa de uma mesa de operações para se proteger, mas precisa de regras. O ponto de partida é mapear as exposições: quanto há a pagar e a receber em moeda estrangeira, em quais datas e moedas. Em seguida, decidir que parcela proteger, em que horizonte e com quais instrumentos, quem pode contratar e até que valor. Por fim, registrar cada decisão e revisar a política periodicamente. Com essas definições, a conversa com os bancos fica objetiva, e as propostas podem ser comparadas com critério.
A Lei 14.286/2021 atribuiu ao Banco Central a competência para regulamentar o mercado de câmbio e suas operações, “incluídas as operações de swaps”, e dispor sobre os tipos e as características de produtos, limites, prazos e outras condições (art. 5º, I).
Referências e legislação
- Resolução BCB 277/2022 · Liquidação pronta e futura e formação da taxa (arts. 15 e 38) — acessar
- Lei 14.286/2021, art. 5º · Competência do Banco Central sobre o mercado de câmbio — acessar
- Banco Central do Brasil, SGS · Séries 1 (dólar PTAX) e 432 (meta Selic) — acessar
- Banco Central do Brasil · Cotações e boletins PTAX — acessar
Dias como 26 de outubro lembram que o câmbio pode desfazer em horas a margem de um mês. Proteção cambial não é para adivinhar o dólar, é para que o resultado da empresa dependa do seu negócio, e não da cotação do dia do pagamento. Esta matéria é informativa e não constitui recomendação de investimento.
— Redação ASSBAN CâmbioComo o ASSBAN Câmbio ajuda: a PME envia a cotação de câmbio a vários bancos credenciados ao mesmo tempo, compara taxa, spread, tarifas e custo total e registra a decisão na trilha de auditoria. Instrumentos de proteção como NDF e opções são contratados diretamente com o banco; o contrato e o registro do câmbio também ficam com ele.
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